Psicologia, fonoaudiologia, neuropsicologia

Tablets e celulares estão associados ao atraso no desenvolvimento da fala

Tablets e celulares estão associados ao atraso no desenvolvimento da fala

Com o crescente número de dispositivos eletrônicos em nossas casas e o fácil acesso das crianças a esses aparelhos, muitas vezes elas começam a usá-los antes mesmo de começar a falar. Segundo pesquisa que foi apresentada esse ano, essas crianças podem ter risco aumentado para atraso no desenvolvimento fala.
Em um estudo publicado em 2008, os autores relataram atraso significativo no desenvolvimento da fala em crianças menores de 4 anos que diariamente passavam tempo demais na frente da TV.
No estudo, o time de pesquisadores do programa Target Kids, no Canadá acompanharam mais de mil crianças, de 6 meses a 2 anos de idade, entre setembro de 2011 e dezembro de 2015. Do total de crianças, 20% fazia uso diário de dispositivos eletrônicos, em média 28 minutos por dia.
Com base no relato dos pais e em uma ferramenta para avaliação da linguagem, os pesquisadores descobriram que quanto maior o tempo ocupado com dispositivos eletrônicos, maior a probabilidade de a criança apresentar atrasos na fala.
Os pesquisadores não observaram associação entre o tempo de uso desses dispositivos e atrasos em outras habilidades de comunicação (como interações sociais, linguagem corporal ou gestos).
As crianças aprendem a falar e a se comunicar através de interações com outras pessoas. Sempre foi assim e continuará a ser, independentemente de qualquer nova tecnologia que possa aparecer. Os primeiros anos de vida são cruciais para o desenvolvimento da linguagem das crianças. É quando os cérebros delas estão mais receptivos para novas aprendizagens e estão construindo caminhos de comunicação que farão parte deles para o resto de suas vidas.
Apesar das recomendações bastante frequentes de pediatras e outros especialistas da área da saúde para restringir o uso desses dispositivos por crianças menores de dois ou quatro anos, ainda é bastante comum que pais aproveitem os eletrônicos como “chupeta” para acalmar e ocupar os filhos.
Os resultados da pesquisa apoiam políticas de saúde para desencorajar o uso de qualquer tipo de dispositivo eletrônico de tela, como tablets e smartphones, para crianças menores de 18 meses.
Mais pesquisas ainda são necessárias para entender os mecanismos que estão por trás da aparente relação entre o tempo de uso de eletrônicos e o atraso da fala. É necessário avaliar qual o tipo de relação das crianças com os pais, o tempo gasto em outras atividades, e ainda compreender qual o impacto desse evento ao longo da infância.
Fonte: psicoedu

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patty